11 de agosto de 2019

De repente 30


Por mais que todos saibamos que esse dia e essa idade irá chegar é meio bizarro entrar nela, fiz 30 anos dia 21 de julho e com quase um mês de "trintada" muita coisa já rolou na minha vida, em questão pessoal, interna e questões externas. Complicado? Sim, não esperava por nada fácil. Com os trinta vieram muitas crises existenciais pelas quais passei e passo calada na minha sempre que surgem. Vez ou outra perturbo algumas amigas, mas a gente é educado a não reclamar, e aceitar as coisas calada dizendo "obrigada universo, valeu awe!".

Acho que uma das coisas que mais assusta é a cobrança que a gente se faz, em relação a trabalho, vida social, dinheiro, principalmente dinheiro. Também vem os planos, milhares deles, de mudança, regado com vontades de largar tudo e tentar outro rumo, depois aquela murchada e desanimo, uma roda gigante de vontades e sentimentos. Hoje estou num nível da minha vida que poucas pessoas entendem como normal, saí de um emprego fixo porém tóxico que já estava bem desgastante para tentar mudar a maré da vida e trabalhar como freela, home office ou "eu que mando em mim, porra!", essas coisas de quem é subversiva a chefias escrotas (vulgo eu!). E aí a pergunta: Está dando certo, Alice? Eu responderia, SIM! Agora lhes explico o sim... Sim pelo fato de eu estar na santa paz da minha casa fazendo meus jobs tranquilamente com roupa rasgada e descabelada, sim, por poder conseguir dar atenção ao meu projeto com bordado no meu ateliê, sim por estar conseguindo freelas com design de estampas que pagam uns potes de sorvete e ração pros meus gatos.

Essa vida que eu levo tem contras? VÁRIOS! As vezes faltam coisas, falta grana, falta ânimo, falta job, mas a gente desiste? NÃO! Algumas pessoas próximas tentam empurrar vagas de emprego no intuito de ajudar, eu entendo, mas as vezes chateia, principalmente quando as vagas são para algo total avesso ao que gosto e sou, fora da minha área de atuação, não estar trabalhando em local fixo com salario fixo não significa que eu não esteja trabalhando em algo ~que por sinal gosto~, eu trabalho, e muito! Sou criativo, passo horas em frente ao notebook elaborando uma estampa para um cliente, horas bordando um projeto, são horas do meu dia que são depositadas em trabalhos que gosto de fazer. E outra, estar em casa, fazendo meus freelas, não me impede de garimpar vagas que me interessem, e olhe só, eu procuro, mas não acho ainda algo que me faça querer largar minha casa para ir, eu vou morrer por isso? Jamais!

Eu posso dizer que graças a Deus tenho uma boa vida, moro com minha mãe e irmão, não pagamos aluguel, não passamos fome, e mesmo sem emprego fixo ajudo no que posso, e seguimos! Mas o que fazer trinta anos tem a ver com isso? Tudo! Essa cobrança de que você tem que ser super bem sucedida aos 30, com carro, e bens, talvez com família formada, mata quem quer só ter uma vida tranquila fazendo aquilo que realmente gosta. Essa vida capitalista, é uma faca de dois gumes, e se não tiver cuidado, como a gente diz aqui no Ceará, tu se lasca!

A real é que eu as vezes me pergunto, como a galera consegue ficar firme no objetivo? Elas desanimam no meio do caminho? Será que já tentaram desistir? Acredito que todas já tenham passado por maus bocados antes de conseguirem chegar lá. E afinal, por que comigo seria diferente?

Pra finalizar, desejo ao universo que esses trinta seja suave, bata de leve! Tenho muito o que aprender e viver, mas sei que até onde cheguei tem bagagem pra mais de metro! É a vida. #trintei




20 de junho de 2019

Sentimentos que eu não preciso ter

Há longos anos/meses me pego refletindo sobre vários aspectos da minha vida, mas principalmente o profissional, o social anda meio esquecido ou sem importância, virou meio que uma rotina, e as vezes acaba não sendo tão boa, me peguei várias vezes fazendo comparações injustas comigo mesma. Comparações sobre trabalho, sobre salário, estilo de vida, relacionamentos interpessoais, mas essas injustas comparações levam a um sofrimento.

Tendo conhecimento disso (o curso de psicologia tem ajudado a entender algumas coisas, embora precise mesmo voltar pra minha análise), tento me policiar para não deixar que aconteçam com tanta frequência (e as vezes falho miseravelmente), se posso deixar de visualizar stories de pessoas que despertam isso em mim, silencio, infelizmente, esse sofrimento vem a partir desse ciclo social virtual, onde tudo é lindo, perfeito, e verde. Esse sofrimento gera uma inveja (nomeio como inveja mas pode não ser?) de algo/alguém, porém comigo nunca é com alguém desconhecido/famoso e sim com pessoas "próximas", tipo uma amiga ou amigo.

É como se eu vivesse sempre na busca de algo que nunca consigo alcançar, e quando tá perto preciso abandonar por causas mais urgentes, tipo falta de grana, boletos. A sensação é de que existe sempre uma pressão interna e externa vindo feito uma onda derrubando todo meu castelinho de areia, que arduamente depois da porrada tento levantar. Isso é a vida ou algo está errado? Estou fazendo algo de errado? Viver é fazer tudo errado em busca de algo dito certo? O certo na verdade é o errado? É um paradoxo.

O que faço com os que deixei de lado em busca de um momento são? O que fazer quando você tenta se reaproximar de quem você pelo seu bem se afastou sem avisar e esses alguéns não se importam mais com tua existência (há uma carga de drama canceriano aqui)? Insistir? Jamais! Respeitar os limites, os novos limites é importante, mas vez ou outra não custa nada tentar e com isso ser ignorada por um dia inteiro e receber resposta no outro, seria isso um masoquismo afetivo? C'est la vie! Sempre cresci com um ditado passado de avó para pai: "Sou de cera, só quero quem me queira!", é egoísmo as vezes pensar assim?

Até tento entender que laços foram cortados por mim sem aviso prévio, e nada mais justo que eu pague por isso, não é assim? Olho por olho! Mas por que eu me importo em tentar reatar e emendar laços que mesmo antes do meu corte já apresentavam rasgos? É uma visão minha! A minha perspectiva mostrava isso, mas será que a do lado de lá também? Difícil saber. Outro paradoxo sentimental.

Este é um texto para que sempre lembre que:

- Não preciso ter a mesma "boa vida" que os outros aparentam ter;
- Não preciso ser a pessoa mais tatuada do grupo;
- Não preciso ter inveja dos amigos que estão se mostrando 100% felizes quando eu não estou;
- Não preciso me forçar a agradar ninguém além de mim mesma;
- Não preciso provar pra ninguém o quanto sou especial, inteligente, autodidata, artista;
- Não preciso me manter em amizades/ambientes que me fazem mal, e que despertam "o pior de mim";
- Não preciso provar para a família que sou alguém;
- Não preciso provar para gestores que sou uma funcionária valiosa;
- Não preciso estar constantemente viajando para ser alguém interessante;
- Não preciso abandonar meus sonhos por ninguém;
- Não preciso correr atrás de amizades que estão com falhas;
- Não preciso seguir um padrão estético, cultural, musical, politico;
- Não preciso tentar ser quem não sou.

Tenho total consciência de que muitas vezes não sou lá flor que se cheire, não por ser uma pessoa má, pelo contrário, sou muito do bem, e só tento ter meu lugarzinho ao sol, afinal ele brilha e queima para e a todos não é mesmo? Eu tenho certeza que não sou ruim, e tenho certeza de ser um ser humano cheio de falhas, mas totalmente do bem, um ser humano que vive tentando se melhorar, e tentando vê e se colocar no lugar dos outros, sentir como eles sentem, mas falho, sim! 

O que preciso (todo mundo precisa) entender e ter todo dia consciência que ninguém é igual a mim em quesito trajetória, e que tudo que tenho hoje, é por uma longa vida de 29 anos aprendendo a cair e levantar. Preciso parar de querer que as pessoas ao meu redor provem e demonstrem que me valorizam pelas N qualidades e habilidades que tenho, afinal, eu não sei mesmo de onde vem essa minha necessidade de querer ser reconhecida (preciso voltar pra análise e levar para a análise essa questão), mas é uma questão que me traz muito sofrimento, essa sensação de desvalorização externa, já que interna é ativa e presente. Preciso voltar pra análise urgente. Tenho questões.


28 de maio de 2019

o meu incômodo com os números

Passei o dia pensando em como somos (SOU) presos as redes sociais, gastei horas da minha viagem da faculdade até em casa tentando estimar os drásticos efeitos que minha vida profissional ~ainda em processo de firmeza no meio "home office"~ teria caso resolvesse desativar minhas contas do instagram. Sim, contas! Ao todo são três (3), uma pessoal, e duas (2) profissionais, uma direcionada ao meu trabalho como designer de estampas, e outra direcionada para o trabalho de bordado. Mas, sabe, na verdade, minha real vontade era de dar um tempo, geral, incluindo o whatsapp. Ando cansada da solidão camuflada de números e visualizações. Ando cansada de pessoas virtuais, sinto falta de interação pessoal, corpo, fala, vozes! São tantos números, tantos "amigos", tantos pedidos para seguir, são tantos vazios.

Passo horas do meu dia fixada numa tela de celular, adquirindo dores no pescoço, acabando com minha vista, em troca de que? Vários nadas. A falsa ideia do povo feliz, prato feliz, faculdade feliz, namoro feliz, família feliz, e ser feliz de verdade, onde se encaixa? Antes este fosse o único problema. Há vazios presentes, de corpo, em presença, em fala. Impossível não querer voltar para algumas épocas da minha vida onde o ciclo de amizade embora não tão sólido era volumoso, presente, barulhento. Hoje, aos 29 (bem pertinho dos 30) me vejo cada vez mais só, e talvez eu mesma tenha causado isso. Na faculdade, são horas sentadas ao lado de pessoas que não sei se gosto ou desgosto da companhia, onde me incomodo com o jeito mandão de uma colega que teima em querer me ditar regras pra vida acadêmica/pessoal, como se por ter alguns anos a mais que eu fossem critérios que me fizessem obedecer. 

Ando cansada dessa virtualidade, quero sentar ao lado de alguém, rezar todo meu rosário em prosa, falar, cansar, ser ouvida e vivida. Ainda assim, correndo o risco de ter as conversas virando meras competições em quem sofre mais nessa vida, é uma chuva de "Nossa, aconteceu isso? E comigo que blá blá blá...", venho notado isso há tanto tempo. Ninguém mais quer ouvir, só ouvir, tem que ter um replay da desgraça na versão que aconteceu com a pessoa também. Acho que é por isso que todo mundo vive no celular.

Bem, está na hora de entrar em OFF.


1 de janeiro de 2019

2018

[Imagem: google imagens]
Dois mil e dezoito foi uma ano mexido. Comecei ele com uma viagem que me abriu muito os olhos em relação principalmente as pessoas. Nessa viagem conheci a grande e linda São Paulo, andei de bicicleta por suas ruas, metrô e ônibus, reforcei amizades, fiz novas amizades, larguei uma amizade, pude vê que em mim existia uma pessoa independente e destemida. Pude ver o real sentido da palavra amizade quando mais precisei.

Em dois mil e dezoito voltei a trabalhar na área que eu queria me especializar mais. Foi um ano de escolhas ruins, outras boas. Troquei coisas e pessoas por outras, me afastei de pessoas e me juntei a outras, foi um ano muito só (por opção).

Em dois mil e dezoito eu entrei novamente na faculdade, dessa vez, cursando Psicologia, um curso que tem me despertado muitas sensações, instigado pensamentos. Fiz novas amizades, me decepcionei com as novas amizades, e mantenho uma morna amizade com as novas amizades. Seres humanos são difíceis, e não me excluo disso. A faculdade me trouxe e me trás todos os dias desafios, seja com as complexidades das matérias, ou a complexidade das pessoas.

Por conta da faculdade e por necessidades pessoais entrei em terapia (finalmente), pude ver como é e vem sendo difícil enfrentar meus medos, minhas culpas, enfrentar meu eu.

Em dois mil e dezoito engordei muitos quilos, parei de fazer qualquer exercício, parei de andar de bicicleta. Por outro lado andei mais só, comigo, vi filmes sozinha, fui a livrarias e comprei livros (que ainda preciso ler pois estão acumulados). Venho tentando curtir mais minha companhia para não depender tanto de um outro. Tem dado certo, há dias que está tudo bem, outros que não, mas é um processo lento e gradual.

Dois mil e dezoito foi o ano que mais adoeci, gripes longas no meio do ano, enxaquecas, e agora em dezembro um combo de um pico de pressão alta e infecção urinária. Um largo sinal de que preciso me cuidar mais e investigar as causas.

Dois mil e dezoito veio com uma carga de stress grande, ano de eleições (que foi frustante), amizades enfraquecidas (e com razão! #ELENAONUNCAEJAMAIS), o trabalho com clima péssimo, um período que me fez pensar muito e me fez perceber como eu estava do lado certo da história, principalmente em relação as pessoas e a minha escolha. 

Em dois mil e dezoito teve muita saudade do meu pai, muita sensação de solidão e lágrimas. Dois mil e dezoito passou. Não ando esperando muita coisa de dois mil e dezenove, só espero sobreviver mais 365 dias com o que há de vir.


10 de novembro de 2018

A visita do medo

Quando a morte já não te é mais uma estranha 
e o medo de que ela leve mais alguém seu chega, 
o medo de fazer um nova e triste visita, 
trazendo a esquecida rotina hospitalar, 
a carga de incertezas, 
o nó na garganta, 
as lágrimas, 
a vigília,
o cuidado,
o medo, 
e o rezo,
com o firme desejo e a fé, 
para que enfim tudo fique bem
e essa passagem do medo tenha sido breve
não 
volte.